Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Férias!!

Encontro histórico: eu, Dani e Nel. Como nos tempos do Marista. Fizemos uma crepada aqui em casa com violãozinho e os amigos do presente. Uma gostosa mistura de tempos e lugares.

Não sei por que o Rio, nas férias, adquire uns ares de Goiânia na infância. Eu pensava nisso, andando na rua, quando encontrei um floricóptero. É nome que demos, crianças, àquelas florzinhas lilases que caem girando como helicópteros.

Então me lembrei das manteiguinhas. Não sei por que assim batizamos as pedrinhas arredondadas que encontrávamos. Sei que elas nos eram humanas, com suas vidas e sentimentos. E brincávamos com elas e cuidávamos delas.

Felicidade me tem um sabor familiar...

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Eu também quero falar

Nos últimos dias, "Hamlet", com Wagner Moura, esteve em Goiânia. Meus amigos, Erika e Rodrigo, escreveram suas impressões sobre a peça. E, como eu adoro um debate e minha opiniões não caberiam no espaço de comentários, publico aqui o textinho que escrevi quando assisti ao espetáculo. Agora espero os comentários!


Shakespeare, que no século XVII fazia teatro para o mais variado público, formado por desde altas classes até aquelas mais populares, chega ao século XXI com uma aura de hermetismo. Trata-se de um Shakespeare inatingível, cuja compreensão só pode ser alcançada por uma elite intelectualizada e pedante. Em sua montagem de Hamlet, Aderbal Freire Filho destrói esse Shakespeare hermético, destinado aos amantes de línguas mortas, e nos apresenta um teatro vivo, que se aproxima do público, sem que isso signifique profanizar o consagrado autor. Para Aderbal, não há profanização, simplesmente porque não há deificação. A grandiosidade de Shakespeare está em seu alcance, na maneira certeira como atinge as nuances da alma humana, universalmente.



A cuidadosa tarefa para aproximar Shakespeare do público iniciou-se já no trabalho com o texto, cuja tradução foi realizada pelo próprio diretor, juntamente com Wagner Moura e Barbara Harrington. Essa apropriação do texto deu à peça um entendimento uterino, já que cada palavra foi meticulosamente escolhida e digerida pela equipe. Buscou-se uma linguagem sem rebuscamento, mas não menos poética. As palavras, na boca dos atores, descristalizaram-se, enchendo-se de sentido e de sentimentos. A grandeza de tais sentimentos, porém, perdeu um pouco de sua sutileza ao manifestar-se, na atuação de Wagner Moura, como uma grandeza de gestos. Excesso que não passou despercebido pela platéia perspicaz, que encheu o teatro de gargalhadas, quando Hamlet afirmou que teatro nada tem a ver com exagero. A platéia achou graça da contradição, talvez mesmo sem se dar conta.



O cenário quase minimalista e o figurino, uma mescla de roupas atuais com alguns elementos simbólicos que remetem ao contexto da peça, evidenciam o que é constantemente revelado: que o teatro nos transporta, mas não nos ilude. Que estamos diante de uma ficção, que, entretanto, é capaz de nos atingir como talvez poucos fatos reais consigam. Aderbal nos transporta para esse mundo shakespeareano de maneira metalingüística, lembrando-nos que isso é teatro. É teatro e é real. Os atores, diante da platéia, transformam-se e se destransformam, transitando entre ator e personagem. O cenário abriga ambos. Uma câmera de vídeo, manipulada pelos atores em cena, cujas imagens são projetadas em um telão ao fundo do palco, amplia a ficção e sua metalinguagem. E assim Aderbal nos conduz por uma trama em que cada elemento é lucidamente escolhido, cada opção se revela coerente e dotada de sentido, para, enfim, chegar ao resultado esperado: aproximar Shakespeare de cada um de nós. Trazer Hamlet para tão perto, tão perto: para dentro. Se o objetivo foi alcançado, mede-se pela resposta do público, que lota o teatro: aplausos fervorosos e emocionados.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Mulher à beira de um ataque de nervos

Obrigações, trabalhos, provas, diversões, emoções. Tanto a fazer e a viver. Eu não consigo escolher. Quero tudo. O que se passa fora e o que se passa dentro. Cumprir com as obrigações e viver todos os prazeres. Pouquíssimas horas de sono, tempo quase nenhum em casa. Euforia e sono se revezam ao longo do dia. E eu me entrego à vida mais do que meu corpo aguenta.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Das grandes decepções

Ciclicamente tenho alguma decepção que me faz desacreditar na humanidade. Semana passada tive uma decepção daquelas que fazem o mundo de repente parecer sem sentido. E olha que sou muito compreensiva com quase tudo que é humano. Uma coisa nunca vou entender: quem quer mal a quem um dia te quis bem. Pode você ter com alguém uma relação de amor e confiança e, um belo dia, passado tudo isso, a pessoa te querer mal a ponto de te prejudicar? Prejudicar só, não, sacanear mesmo, de modo baixo e sujo? Apesar de tudo que eu via por aí, eu acreditava secretamente que não podia. E confiava cegamente na bondade, no querer bem...

Mas eu me armo com a mesma ferocidade com que sou atacada (por alguém que outrora me protegeu!), encontro caminhos, tomo providências, alicio cúmplices, aciono contatos. E quanto mais forte me torno, também mais doce vou ficando. Porque descubro no meio disso tudo uma força que não é minha, mas que me é dada com o carinho do profundamente humano. E saio armada com mais ingenuidade e entrega do que antes. E ainda acredito, sim, na humanidade.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Festa Junina!

Entre as muitas coisas que moram no meu mundo das saudades, uma delas são as festas juninas. Saudades por que, se há delas todo ano? Saudades simplesmente porque festas juninas, para mim, têm um gosto inexplicável de passado. Um gosto de escola, ensaios de quadrilha, milho, cheiro de quentão, canjica, correio elegante, paixões platônicas, primeiro namorado, encontro de amigos, cidade natal.

Ontem fomos ao Arraial da Providência e teve quase um gosto de infância. Tranças no cabelo e pintinhas no rosto... e éramos crianças novamente. Crianças para brincar de pula-pula e montar touro mecânico, para vibrar com cada comidinha, para dançar quadrilha alegremente.

A verdade é que, quanto mais velha fico, mais liberto minha criança. E me permito ser simples, boba, inocente. E quanto mais o faço, mais preservo minhas referências. Preciso ser criança para saber quem eu sou.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Para quem me entender

Mas talvez a salvação esteja na linguagem... A partir do momento em que se nomeiam as coisas, elas passam a existir. Então essa falta de que me queixo, no fundo, é um medo de pronunciar tais palavras, o medo de sua realidade. Há um vocabulário aprisionado em mim. Há um mundo inquieto por existir... Se ao menos eu ousasse nomeá-lo.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

"Sobra tanta falta"


DAS AUSÊNCIAS
Nos últimos dias tenho me ausentado de tantas coisas importantes, eu sei. Passagem comprada para Goiânia, acabei cancelando-a, por diversos motivos. Entre eles os ensaios que eu não posso faltar e o dinheiro que me falta. O que me redime é que é a mim que minha ausência esvazia.
Casamento da Taís
Minha prima de alma casou-se no sábado, dia 13. Eu queria muito estar lá para dividir com ela esse momento de felicidade merecida. Não estava. Mas estava. Com minhas vibrações positivas e o bem-querer de quem sabe que essa é uma pessoa que doa ao mundo e por isso merece o melhor que o mundo tem a oferecer. O amor, talvez.
Aniversário da Érika
Eu botei a maior pilha para ela fazer uma festa junina e aqui estou eu, no Rio de Janeiro. Mas não me esqueço do aniversário dela, mesmo que ele não esteja no Orkut, desconfio que propositalmente. Não tenho palavras para descrever o que a Érika significou na minha vida, as histórias que passamos juntas no Rio e que continuamos passando. Uma pessoa que caiu no meu caminho por acaso e que escolhi como irmã.
Despedida do Eduardo
Ele tem esse tamanho todo, essa risadona marcante, mas foi de modo muito sutil que entrou na minha vida. Aparecendo nos encontros, normalmente levado pela Érika, pela Maria Cristina. E de repente era presença essencial no Master, no Franz, na Casa São Paulo, no Peixinho. Boa viagem, Eduardo!
DA PRESENÇA
Pra compensar tanta falta, veio minha amiga Júlia me visitar. Pra falar a verdade, o propósito dela não foi exatamente esse, mas ainda assim ela está aqui e enche a cidade com a alegria de sua presença.